Sábado, 13 de Junho de 2009

O Egoísmo

O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: Que me importa! Animou-se a dizer aos judeus: Este homem é justo, por que o quereis crucificar? E, entretanto, deixa que o conduzam ao suplício.

É a esse antagonismo entre a caridade e o egoísmo, à invasão do coração humano por essa lepra que se deve atribuir o fato de não haver ainda o Cristianismo desempenhado por completo a sua missão. Cabem-vos a vós, novos apóstolos da fé, que os Espíritos superiores esclarecem, o encargo e o dever de extirpar esse mal, a fim de dar ao Cristianismo toda a sua força e desobstruir o caminho dos pedrouços que lhe embaraçam a marcha. Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações.

Emmanuel (Paris, 1861.)

Do Livro: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Capítulo XI – Item 11

Saudações Reikianas.

NAMASTÉ

Publicado por Viktor às 21:03
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

O PAPEL DOS PROFETAS NA BÍBLIA E NO CULTO DA IGREJA PRIMITIVA

Esclarecimentos dados pelas epístolas de Paulo - Profetas em Israel e na Igreja Cristã, e sibilas, oráculos e pitonisas, nos meios pagãos - João, o evangelista, e os Espíritos. Um dos problemas mais discutidos no mundo cristão, desde o aparecimento do Espiritismo, é o profetismo. O que era o profetismo bíblico, e o que era por sua vez, o profetismo apostólico? Por que, na Igreja Primitiva, ao lado dos vários responsáveis pelo movimento cristão, havia os profetas? E o que faziam esses profetas, do que estavam eles incumbidos? O rev. Robert Hastings Nichols, em suas História da Igreja Cristã, publicada em versão portuguesa pela Casa Editora Presbiteriana, lembra que podemos ter uma ideia das práticas da Igreja Primitiva pelas epístolas de Paulo, "especialmente as enviadas aos Coríntios". É precisamente o que dizem os estudiosos espíritas do assunto. No seu livro De cá e de Lá, publicado nesta capital há cerca de quinze anos, pela livraria da União Federativa Espírita Paulista, o prof. Romeu do Amaral Camargo, ex-diácono da l Igreja Presbiteriana da Capital, estuda o problema com base nas epístolas de Paulo, especialmente na l Coríntios. Para o rev. Nichols, havia na Igreja Primitiva, dois tipos de culto, sendo um "o da oração" e outro o da refeição em comum, a chamada "Festa do Amor". Quanto ao primeiro, diz o rev. Nichols: "O culto era dirigido conforme o espírito os movia no momento. Faziam orações, davam testemunho, ministravam certos ensinos, cantavam e saímos". O que seriam esses "certos ensinos", e como seriam ministrados? Noutro trecho, o rev. Nichols levanta uma pontinha do véu: "O Novo Testamento fala de oficiais que se ocupavam do ministério da pregação e do ensino. São conhecidos como apóstolos, profetas e mestres. O nome de apóstolo não era restrito aos companheiros de Jesus, mas pertencia também a outros pioneiros do Evangelho, que levavam as boas novas aos novos campos. Os profetas, mestres e doutores, esclareciam o significado dos Evangelhos às igrejas. Todos esses exerciam seus ofícios, não pela indicação de qualquer autoridade, mas porque revelavam estar habilitados para tais ofícios, pelos dons do Espírito Santo".
Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, estudando a passagem referente à entrevista de Nicodemos com Jesus acentua: "O texto primitivo diz apenas “da água e do espírito”, enquanto certas traduções substituíram Espírito por Espírito Santo, o que não é a mesma coisa. Este ponto capital sobressai dos primeiros comentários feitos sobre o Evangelho, o que um dia será analisado sem equívoco possível". Kardec cita ainda a tradução clássica de Osterwald, conforme o texto primitivo que diz: "Quem não renascer da água e do espírito".
A expressão Espírito Santo, que poderia, pois, levar confusões à compreensão do texto, deve ser substituída por Espírito, conforme o original do texto grego primitivo, e tudo se esclarecerá. Os dons do Espírito, dons que podem ser movidos no profeta por um espírito que seja santo ou não, eram os elementos dominantes da Igreja Primitiva. E tanto assim, que o apóstolo João, também evangelista, advertiu os crentes, na sua primeira epístola: "Caríssimos, não acrediteis em todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus". (Cap. 4, vers. l -3). Estudando os caps. 12 e 14 da l Epístola aos Coríntios, de Paulo, o prof. Romeu do Amaral Camargo declara: "Esses dois capítulos encerram matéria de grande importância e real utilidade para os assistentes de uma sessão espírita, e também indicam claramente o procedimento a ser observado pêlos que participam de uma sessão". E assim é, realmente. De tal maneira o apóstolo Paulo se refere aos dons mediúnicos dos profetas, que essa epístola se torna uma espécie de orientação para os trabalhos práticos de Espiritismo. Por ela se vê, com absoluta clareza, que o culto da oração incluía os ensinos proféticos, e que estes nada mais eram do que as manifestações mediúnicas. O Espiritismo veio esclarecer o papel dos profetas na antiguidade, que era semelhante ao das sibilas e pitonisas. Espinosa já havia chegado à conclusão, nos seus famosos estudos sobre as Escrituras, que o profetismo não era um privilégio dos judeus, mas uma qualidade do homem, existente em todo o mundo antigo, como em todo o mundo moderno. Mas aquilo que Espinosa não podia explicar senão como efeito da imaginação, comparando a inspiração dos profetas à dos poetas, o Espiritismo veio explicar mais tarde, no cumprimento das promessas do Consolador, restabelecendo as coisas em seu verdadeiro sentido. O profetismo bíblico e o apostólico eram simplesmente o uso da mediunidade, como hoje se faz nas sessões espíritas. E assim como, na antiguidade, havia profetas em Israel e na Igreja Primitiva, enquanto no mundo pagão existiam sibilas, pitonisas e oráculos, assim, no mundo moderno, há médiuns no Espiritismo, e há "cavalos", "tremedores", "possessos" e "convulsionários", em organizações religiosas que não seguem os princípios do Consolador ou Espírito da Verdade. O velho problema do profetismo está perfeitamente esclarecido, graças aos estudos espíritas.
J. Herculano Pires
Publicado por Viktor às 20:00
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ADÃO NÃO FOI O PRIMEIRO HOMEM, MAS APENAS O PRIMEIRO HEBREU

O versículo quarto do capítulo sexto do Génesis informa: "Ora, naquele tempo havia gigantes na Terra". O tempo referido é o da criação do homem. Se havia gigantes, Adão não era o primeiro homem, tanto mais que a própria Bíblia nos diz que os "filhos de Deus", que eram Adão e sua descendência, casavam-se com as "filhas dos homens". É o que vemos no versículo dois do Cap. VI: "Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres", e ainda no versículo quarto, já acima citado: "e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos". Verifica-se no texto uma dubiedade, parecendo haver uma diferença entre os gigantes e os homens, mas não se poderia explicar as "filhas dos homens", se não fossem filhas dos gigantes. Essa dubiedade se explica pela Mitologia. Os gigantes, na verdade, são figuras mitológicas que aparecem no texto bíblico, da mesma maneira que nos textos hindus, egípcios e na "Gigantemaquia", poema que se considera como fragmento extraviado da "Teogonia" de Hesiodo. A Bíblia herdou dos antigos livros mesopotâmicos a lenda mitológica dos gigantes. Esse fato comprova a tese espírita da raça adâmica, que na verdade nada mais é do que o povo hebreu.
O exame do texto bíblico, à luz da Antropologia Cultural e da Mitologia, prova que Adão é apenas o primeiro hebreu e não o primeiro homem. A lenda de Adão e Eva é o capítulo mitológico da História dos Judeus, como a lenda grega de Deucalião e Pirra é o da História dos Hebreus. As duas histórias se confundem, de tão semelhantes, no caso do dilúvio. Assim como Heleno foi o primeiro homem para os gregos, Adão foi o primeiro para os judeus. A falta de conhecimento histórico e a falsa interpretação teológica da Bíblia transformaram uma antiga lenda mitológica em verdade revelada. O Espiritismo não endossa esse absurdo.
Curioso notar que Deucalião, o Noé grego, e Pirra, sua mulher, tiveram três filhos, como aconteceu com Adão e Eva e depois com Noé. Em todas essas coincidências comprova-se a origem mitológica e a presença dos arquétipos colectivos nas passagens supostamente históricas da Bíblia. Querer sustentar a realidade desses relatos ingénuos e impô-los ao povo como verdade divina é querer confundir religião com superstição. O Espiritismo prefere esclarecer esses problemas à luz da razão.
J. Herculano Pires
Publicado por Viktor às 09:37
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

EPISTOLAS TESTEMUNHAM MEDIUNIDADE APOSTÓLICA

A expressão Dons Espirituais, como a expressão Espírito Santo, não aparece nos textos bíblicos originais. O rev. Nielsson declara, com sua autoridade de teólogo e traduzir da Bíblia: "Os termos da Vulgata Latina, spiritum bonum, correspondem exactamente aos dos originais gregos. A Vulgata não fala absolutamente em Espírito e Espírito Santo". Isso, no tocante ao Novo Testamento, pois no Velho só se fala em Espírito e Espírito de Deus.

Quanto aos Dons Espirituais, a situação é a mesma. Essa expressão aparece apenas nos textos paulinos, com a palavra grega charismata, que significa literalmente mediunidade, ou

seja, a graça de ser intermediário entre os Espíritos e os Homens. Os estudos do Rev. Haraldur Nielsson, enfeixados no livrinho O Espiritismo e a Igreja, recentemente lançado, esclarecem bem este assunto. Nielsson nos mostra, com sua imensa autoridade, que a palavra transe vem da Bíblia, derivando directamente de êxtase. Eis uma das suas afirmações: "O próprio Paulo nos diz que estava frequentemente em transe. O apóstolo Pedro conta-nos a mesma coisa". E a propósito de João e sua advertência para examinarmos "se os Espíritos são de Deus", lembra que Paulo também adverte que: "...ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz anátema contra Jesus..." (l Cor. XII:3).

A mediunidade era usada entre os judeus e entre os cristãos primitivos, e Nielsson acentua textualmente: "Segundo a concepção dos tempos apostólicos, os Espíritos podiam ser bons ou maus, muito evoluídos ou inferiores e atrasados". Isto explica as advertências apostólicas, pois nas assembleias cristas manifestavam-se também os maus Espíritos, amaldiçoando o Cristo para defenderem o Judaísmo ortodoxo ou mesmo para defenderem as religiões politeístas, que também usavam a mediunidade.

Vemos assim como são inúteis os ataques ao Espiritismo em nome da Bíblia, que é um livro mediúnico. E como os espiritistas e o Espiritismo nada têm a temer da Bíblia. E preciso apenas mostrar a verdade sobre a Bíblia, separar o que há nela de humano e divino, não aceitá-la de olhos fechados, dogmaticamente, como "a palavra de Deus", o que é simples absurdo proveniente de épocas de fanatismo. A Bíblia é muito valiosa para os espiritistas estudiosos, porque é o maior e mais vigoroso testemunho da verdade espírita na Antiguidade. ''

J. Herculano Pires
Publicado por Viktor às 08:45
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