Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

REIsocialKI® contra a pobreza

Caros irmãos,

     Quando numa entrevista se pergunta o que é que deseja para o mundo, a maioria das pessoas responde: “Gostava que acabassem as guerras, a fome e a pobreza, tornando este um mundo melhor.” Sim, sem dúvida que são palavras bonitas e nobres sentimentos, mas isso não basta. Fala-se em coesão social, reinserção social e combate à pobreza entre outras coisas, mas depois constatamos que o que existe não chega e como diz o povo: “de boas intenções estão inferno cheio”. Vamos passar das boas intenções para os verdadeiros actos de solidariedade, porque ninguém diga: “desta água não beberei”. Mas antes de continuar, vamos ver o actual “estado da nação” relativamente à pobreza.

     Neste momento um quinto da população vê-se obrigado a viver com menos de 360€ mensais, e se considerar que a população activa entre os 16 e 34 anos (32%) que vivessem apenas do seu trabalho só, então também se considerariam pobres. Isto é realmente alarmante, pois neste caso estamos a falar de um terço da população activa do país. Mediante os dados do INE, sem as reformas a alguns apoios sociais, mais de 4 milhões de portugueses estavam em risco de pobreza. Mas há aqui uma coisa a ter em linha de conta, na altura da ditadura Portugal tinha das mais altas taxas de população e como tal não seria necessário o recurso às verbas do Estado, mas a situação inverteu-se e hoje os trabalhadores activos já não chegam para cobrir os valores das reformas pagas pelo Estado. Além disso o fosso existente entre ricos e pobres em Portugal, é o maior no conjunto dos países da União Europeia. Podemos constatar que o rendimento dos 2 milhões de portugueses mais ricos do país é quase 7 vezes maior que o rendimento dos 2 milhões de pessoas mais pobres. O Presidente da AMI diz: “A responsabilidade social das elites da sociedade portuguesa não é praticada e nem sequer á assumida”. Aqueles que estão mais perto do limiar da pobreza são os idosos e famílias com 3 ou mais filhos e por outro lado constatamos que as famílias mais ricas têm um ou nenhum filho dependente. O relatório do INE diz que Portugal integra a lista negra dos países que têm uma taxa de pobreza superior à media europeia (16%), na seguinte ordem decrescente: Polónia, Estónia, Letónia, Lituânia (18 a 21%), Espanha, Grécia, Irlanda (um quinto em risco), Portugal, Reino Unido (19 e 18%). Em Portugal, há 10 anos foi lançado o RSI (Rendimento Social de Inserção) com o objectivo de acabar com a pobreza, mas o mesmo ficou muito aquém do seu objectivo. Este actual “estado da nação” foi o apresentado no passado dia 18 de Outubro, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Estima-se globalmente que 84 milhões de pessoas estão em risco de pobreza.

     Além de tudo isto há ainda aqueles que, pelas mais variadas razões e/ou motivos (orgulho, vergonha, o que os outros vão dizer ou pensar) vivem com imensas dificuldades, chegando mesmo a passar fome. Estas são pessoas que outrora [refiro-me há 2 ou 3 anos atrás] viviam bem, de forma desafogada e que uma situação de banca rota, falência ou pobreza nunca lhes passou pela cabeça, mas agora, de um momento para o outro ficaram pobres. Isto causa-lhes imensos problemas, principalmente do foro psicológico (mental), pois essas pessoas tinham um determinado “estatuto social” que com isso desaparece, o que os deixa muito mal. Contudo em verdade lhes digo que isto acontece porque muitos seres neste plano teimam em viver pautando-se pelos prazeres da vida terrena (materialismo, apego, poder, riqueza, etc.) que apenas servem para lhe enriquecer o ego em detrimento da vida pautada pelas Leis Universais da Unidade dos Seres e não na dualidade que caracteriza a generalidade dos habitantes da Terra. Ao verem-se na pobreza, este tipo de pessoas sentem-se completamente perdidas, porque de um momento para o outro parece que passaram a viver num mundo completamente diferente e isso provoca-lhes um mau estar tal que chegam ao ponto de pensar no suicídio.

     Por estas e outras razões, surgiu o REIsocialKI®, dando continuidade ao trabalho que tenho vindo a desempenhar. Este Projecto Social tem como principal objectivo o apoio às famílias carenciadas, tanto ao nível de bens (roupas, alimentos, livros, electrodomésticos) bem como ao nível psicológico (equilíbrio do Ser). Aqui em Albufeira este projecto já tem um ano de existência, tendo sido há um mês alargado para o Barreiro, Lisboa e brevemente em Famalicão. Também já funcionou temporariamente no Funchal. Além de Portugal, este projecto irá também expandir-se para outros países, aliando assim a divulgação das práticas terapêuticas holísticas ao cada vez mais necessário papel social, propagando os valores da humildade, solidariedade através da prática de trabalhos altruístas em prol do semelhante, sem nenhum tipo de interesses particulares e/ou pessoais.

     Neste último trimestre de 2010, foi lançado o REInatalKI integrado no projecto anteriormente citado. Neste âmbito, informo que no próximo dia 5 de Novembro, irei levar a efeito uma Partilha [REIsocialKI®] em Lisboa e no final da mesma, os participantes seguem em marcha pelas ruas da capital onde vão pessoalmente fazer a entrega de cobertores, alimentos e livros aos sem-abrigo. Quem pretender dar o seu contributo/donativo mas não tenha possibilidade de estar presente nesse dia, poderá entregar o mesmo no seguinte endereço: junto à loja do cidadão nas Laranjeiras, estrada da luz, nº 94 C, Lisboa. Podem solicitar mais informações para um dos seguintes contactos: 913 096 548 ou 962 856 134, ou para o e-mail: mestreviktor@gmail.com . Vamos passar das palavras aos actos e seja invadido por um sentimento de bem-estar e harmonia para consigo mesmo e com o Universo.

Saudações Holísticas

NAMASTÊ

Música: M80
Publicado por Viktor às 14:38
Link | Comentar | favorito
Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Mediunidade profissional e charlatanismo

Esse é um ponto bastante polémico com relação ao Espiritismo. Seriam os médiuns apenas charlatães interesseiros? Analisando com atenção tudo o que envolve a mediunidade é possível se chegar a uma conclusão.

O princípio da faculdade mediúnica é a afinidade fluídica, a qual é individual e não geral; pode existir do médium para tal espírito e não a tal outro; sem essa afinidade, cujas nuances são muito diversificadas, as comunicações são incompletas, falsas ou impossíveis. Elas podem ser falsas porque, na falta do espírito desejado, não faltam outros, prontos a aproveitarem a ocasião de se manifestarem, e que se importam muito pouco em dizerem a verdade. O mais frequentemente, a assimilação fluídica entre o espírito e o médium não se estabelece senão com o tempo, ocorrendo uma vez em dez que ela seja completa desde a primeira vez.

Estando a mediunidade subordinada a leis, de alguma sorte orgânicas, às quais todo médium está sujeito, não se pode negar que isso não seja um escolho para a mediunidade profissional, uma vez que a possibilidade e a exactidão das comunicações prendem-se a causas independentes do médium e do espírito. Para que um médium profissional pudesse oferecer toda segurança às pessoas que viessem a consultá-lo, seria preciso que ele possuísse uma faculdade permanente e universal, quer dizer, que pudesse se comunicar facilmente com todos os espíritos e a qualquer momento, para estar constantemente à disposição do público, como um médico, e satisfazer a todas as evocações que lhe fossem pedidas. Ora, isso não ocorre com nenhum médium.

Além disso, os espíritos são livres; eles se comunicam quando querem, com quem lhes convém e também quando podem. Não estão às ordens e ao capricho de quem quer que seja, e não é dado a ninguém fazê-los vir contra a sua vontade. Como sempre dizia Chico Xavier: “o telefone só toca de lá para cá”. Ninguém pode afirmar que a qualquer hora um espírito virá atender ao seu chamado e responderá a tal ou tal questão. Dizer o contrário é provar ignorância dos mais elementares princípios do Espiritismo. Só o charlatanismo tem fontes infalíveis.

Vê-se que os médiuns não possuem senão a faculdade de comunicar, mas a comunicação efectiva depende da vontade dos espíritos. Isso explica a intermitência da faculdade mesmo nos melhores médiuns, e as interrupções que suportam por vezes durante vários meses. Seria, pois, erradamente, que se assemelharia a mediunidade a um talento. O talento se adquire pelo trabalho e aquele que o possui dele é sempre o senhor; o médium não é jamais senhor da sua faculdade, uma vez que depende de uma vontade estranha.

Os próprios princípios que regem as comunicações com o mundo invisível se opõem à regularidade e à precisão necessárias para aquele que se coloca à disposição do público.

O desejo de satisfazer a uma clientela pagante conduz ao abuso. Não se conclui disso que todos os médiuns interesseiros sejam charlatães, mas o interesse de ganho conduz ao charlatanismo e autoriza a suposição de fraude, se não a justifica. Não há, para se comunicar com os espíritos, nem dias, nem horas, nem lugar mais propícios uns que os outros. Não é preciso para os evocar, nem fórmulas, nem palavras sacramentais ou cabalísticas, sendo que o emprego de todo sinal ou objecto material, seja para os atrair, seja para os repelir, não tem efeito, uma vez que o pensamento basta. Só o charlatanismo poderia tomar maneiras excêntricas e adicionar acessórios ridículos. A evocação dos espíritos se faz em nome de Deus, com respeito e recolhimento; é a única coisa recomendada às pessoas sérias que querem ter intercâmbio com espíritos sérios.

Outra questão é que certas manifestações espíritas se prestam, bem facilmente, a uma imitação mais ou menos grosseira; mas do fato de que puderam ser exploradas, como tantos outros fenómenos, pela charlatanice e pela prestidigitação, seria absurdo disso concluir que elas não existam, como bem atesta, em raciocínio adjacente, André Luiz, em trecho do livro Evolução em Dois Mundos.

As manifestações mais fáceis de serem imitadas são certos efeitos físicos, e os efeitos inteligentes vulgares, tais como os movimentos de objectos e pancadas dos mesmos, a escrita directa, as respostas banais, etc; não ocorre o mesmo com as comunicações inteligentes de uma alta importância, ou na revelação de coisas notoriamente desconhecidas do médium. Para imitar os primeiros não é preciso senão a destreza; para simular os outros é preciso, quase sempre, uma instrução pouco comum, uma superioridade intelectual fora de série e uma faculdade de improvisação, por assim dizer, universal, ou o dom da adivinhação.

É importante ressaltar que a "mediunidade elevada (...) constitui (...) conquista do espírito, para cuja consecução não se pode prescindir das iniciações dolorosas, dos trabalhos necessários, com a auto-educação sistemática e perseverante." (André Luiz, em trecho do livro Missionários da Luz).

 

««« Conclusão »»» 

A mediunidade é uma faculdade essencialmente móvel e fugidia, pela razão de estar subordinada à vontade dos espíritos; por isso é que está sujeita a intermitências. Esse motivo, e o princípio mesmo segundo o qual estabelece a comunicação, são os obstáculos a que se torne uma profissão lucrativa, uma vez que não poderia ser nem permanente, nem aplicável a todos os espíritos, e que poderia faltar no momento em que dela se tivesse necessidade. Aliás, não é racional admitir que os espíritos sérios se coloquem à disposição da primeira pessoa que os queira explorar.

A propensão dos incrédulos, geralmente, é suspeitar da boa fé dos médiuns, e supor o emprego de meios fraudulentos. Além de que, no entendimento de certas pessoas essa suposição é injuriosa, é preciso, antes de tudo, perguntar qual interesse poderiam eles ter para enganarem e divertirem ou representarem a comédia. A melhor garantia que se pode encontrar está no desinteresse absoluto e honorabilidade do médium. Há pessoas que, pela sua posição e seu carácter, escapam a toda suspeição. Se a atracão do ganho pode excitar a fraude, o bom senso diz que, onde não há nada a ganhar, o charlatanismo não tem razão de ser.

Texto baseado em trechos do livro O Que É o Espiritismo.

Publicado por Viktor às 10:33
Link | Comentar | favorito
Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

O QUE FOI E O QUE É

O Espírito da Verdade esclarece o passado em função do presente, e este em função do futuro - A compreensão espírita em face dos textos antigos e suas dificuldades. A insistência de alguns confrades no combate ao "biblismo" no meio espírita tem o seu lado louvável. Também é louvável a insistência dos que combatem o "evangelismo" de tipo protestante, que parece invadir numerosos Centros. Todo apego aos velhos textos não se justifica, diante dos novos, que nos foram legados por Kardec, sob a orientação do Espírito da Verdade. O Espiritismo que se enfeita de exageros bíblicos ou evangélicos está nas condições do remendo de pano novo, que se quer aplicar ao pano velho. Mas isso não quer dizer, evidentemente, que se deva atirar ao lixo o pano velho. Todo exagero é condenável, por conduzir infalivelmente ao erro. Consideramos, portanto, errados em sua posição doutrinária, tanto os que condenam a Bíblia como pano velho e imprestável, quanto os que a consideram como "a palavra de Deus". Kardec é o primeiro a nos dar exemplo da atitude que devemos tomar em face da Bíblia. Basta-nos a leitura dos seus livros, para compreendermos que ele não ia tanto ao mar, nem tanto à terra. Nisso, como em tudo, sua atitude era sensata, equilibrada, serena, compreensiva e, sobretudo, natural. O espírita está de posse de uma doutrina que esclarece todos os problemas humanos, que lança uma luz bastante clara sobre a história, e que exactamente por isso não lhe permite atitudes extremadas. Ali onde os outros não vêem senão um aspecto, um lado da coisa analisada, o espírita tem obrigação de ver mais, de enxergar mais fundo. No caso da Bíblia e do Evangelho essa obrigação se torna ainda maior, pois essas duas codificações referentes a duas revelações que antecederam a espírita, representam fases fundamentais da preparação do Espiritismo. Temos o direito, e até mesmo dever, de analisar os textos antigos. Mas não temos o direito de procurar destruí-los ou negá-los.
Pedra de Alicerce
Nada mais fácil do que encontrar erros históricos e contradições nos textos antigos. Muita tinta e muito papel já se gastou com isso, principalmente no caso da Bíblia. Mas nem a Bíblia, nem outros textos submetidos a esse processo de análise agressiva, tiveram o seu prestígio diminuído, ou sequer arranhado. A força de livros como a Bíblia não está no seu conteúdo racional, na sua coerência histórica ou na sua coerência moral e religiosa. Está na tradição e no sopro espiritual que lhes impregnam as páginas. O leitor da Bíblia repele as análises modernas como heréticas, e mais fundamente se apega ao seu livro. O mesmo se dá com os textos evangélicos: quanto mais combatidos, mais se impuseram no mundo. Porque todos esses textos foram feitos para falar mais ao coração do que à razão, para despertar antes a alma do que a mente. E cumpriram e cumprem a sua missão na terra, apesar de toda a incompreensão dos que os combatem. Alguns intelectuais espíritas, e entre eles os meus prezados amigos Carlos Imbassahy e Mário Cavalcanti de Melo1, representantes da "Escola de Niterói", que é uma escola voltaireana de Espiritismo, entendem que precisamos acabar com o "biblismo" e o "evangelismo" no meio espírita. Outros entendem, por outro lado que precisamos de mais Bíblia e mais Evangelho. Parece-me que são duas posições extremas, e por isso mesmo contrárias ao espírito de compreensão da doutrina. O Espiritismo nasceu cristão, fundamentado nos Evangelhos, como vemos desde O Livro dos Espíritos, e tendo a Bíblia como o seu mais profundo fundamento, como a pedra mais funda do seu alicerce. Está claro que a pedra do alicerce deve ficar ali, como base. Mas, que podemos esperar, se começarmos a cavar a terra e ferir a pedra, com a intenção de destruí-la?
Violência Anti-Bíblica
Diz o confrade Cavalcanti de Mello, em seu livro Da Bíblia aos nossos dias, página 311: "Pode ser que este livro, a Bíblia, servisse a um povo ignorante e inculto; mas, para nós, em pleno século XX, está enquadrado entre os muitos contos infantis, como a história da Carochinha. E aqui ficamos, leitores, não querendo tocar mais nas imoralidades consignadas no Velho Testamento e tão injustamente atribuídas a Jeová e a Moisés, numa infâmia multimilenar, mantida pêlos ignorantes". Já se viu maior violência? A Bíblia é considerada como uma "infâmia multimilenar", e o que é pior, "mantida pêlos ignorantes". Todo leitor da Bíblia, portanto, é ignorante, a menos que a leia para combater e negar. E todos os que contribuíram para que se realizasse, há milênios, a codificação bíblica, nada mais foram do que infames e infamantes. A aceitarmos isso, teríamos de considerar ignorante o próprio Kardec, que se deu ao
trabalho de citar a Bíblia como a l Revelação. Além do mais, estaríamos negando o poder de esclarecimento da doutrina espírita, cuja função não é somente aclarar o futuro, mas também o passado e o presente. No capítulo VIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, "Instruções dos Espíritos", item 18, diz o espírito de João Evangelista: "Meus bem-amados, já estamos naqueles tempos em que os erros explicados se transformam em verdade. Nós mostraremos a correlação poderosa que une o que foi e o que é. Em verdade vos digo: a manifestação espírita alarga os horizontes, e aqui está o seu enviado, que vai resplandecer como um sol por cima dos montes".
A correlação poderosa. Essa é a atitude espírita em face dos textos antigos, especialmente da Bíblia e dos evangelhos. Sabemos que são textos de um passado longínquo, e não podemos sensatamente interpretá-los ou criticá-los como se tivessem sido escritos em nossos dias. A manifestação espírita alarga os horizontes e nos faz enxergar além dos limites estreitos do presente. Os Espíritos do Senhor se manifestaram e se manifestam para nos ajudarem a transformar os erros em verdades, estabelecendo a correlação poderosa entre o que foi e o que é. Querer negar o que foi, sustentar apenas o que é, parece-nos absurdo. É como querer cortar uma árvore pelas raízes e esperar que ela continue a nos alimentar com seus frutos. A Bíblia, como os Evangelhos e como outros textos religiosos da antiguidade, são os marcos da evolução espiritual da Terra. É claro que não podemos encontrar num marco praticamente inicial, como a Bíblia, a mesma pureza que vamos encontrar nos Evangelhos ou na codificação espírita. Mas não é justo que condenemos aquilo que não compreendemos hoje, e que representou um impulso e um valor no seu tempo, muito distante de nós. Todos os espíritas conhecem a lei de evolução. Como, então, não colocarmos a Bíblia em seu exato lugar, na evolução espiritual da Terra, e preferirmos acusá-la de infâmias e imoralidades que só existem aos nossos olhos? Procuremos, antes, como o fazia Kardec, estabelecer a "correlação poderosa" a que aludiu o espírito de João Evangelista.
J. Herculano Pires
Publicado por Viktor às 09:30
Link | Comentar | favorito
Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

0 LIVRO DOS ESPÍRITOS COMO SEQUÊNCIA NATURAL DA BÍBLIA

Este ano assinala o centésimo-décimo aniversário da publicação de O Livro dos Espíritos1, de Allan Kardec, obra básica do Espiritismo. Porque foi precisamente a 18 de Abril de 1857, portanto há 110 anos exactos, que O Livro dos Espíritos apareceu em Paris, dando início positivo à III Revelação do Cristianismo.
Por mais que os bíblicos literalistas contestem e que as religiões cristãs dogmáticas protestem, há uma verdade que não se pode esconder: o Livro dos Espíritos é sequência histórica e desenvolvimento natural da Bíblia. Mesmo alguns espíritas não concordam com isto. Mas, se atentassem melhor para a sua doutrina e examinassem o assunto à luz das obras básicas da doutrina, compreenderiam a verdade. Kardec afirmou e demonstrou que o Espiritismo é a continuação do Cristianismo. Veja-se o que ele escreveu a respeito da introdução e no primeiro capítulo de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Veja-se a sua teoria da Revelação no primeiro capítulo de A Génese. E consulte-se o livro básico nos pontos referentes ao problema.
A I Revelação do Cristianismo foi feita através de Moisés e dos Profetas e codificada na Bíblia. Esta codificação anunciava a vinda do Messias e, portanto, outra revelação. Cumprindo a profecia, a II Revelação veio com o Cristo e foi codificada nos Evangelhos. Mas esta codificação anunciava outra vinda, a do Espírito da Verdade, que se manifestou a Kardec e deu-lhe os ensinamentos codificados em O Livro dos Espíritos. Esta codificação é a da III Revelação, que não anuncia mais nenhuma, porque nela a Revelação Cristã se completa, abrindo definitivamente as portas da mediunidade para o dialogo do Visível com o Invisível. Estando as portas abertas, a Revelação Cristã flui naturalmente daqui para diante, sem necessidade das divisões históricas do início. Por isso e para isso é que o Espiritismo não se fecha numa estrutura dogmática e eclesiástica.
Kardec afirmou que o Espiritismo é a chave da Bíblia e dos Evangelhos. Todos os que estudam este problema sem sujeição a dogmatismos e seitas, sabem que não se pode compreender as duas codificações anteriores sem o auxílio da posterior. Porque a sequência histórica é também uma sequência lógica. A Bíblia é a premissa maior do Cristianismo; os Evangelhos são a premissa menor; O Livro dos Espíritos a conclusão. Essa a razão porque Jesus prometeu que o Espírito da Verdade viria completar e restabelecer os seus ensinos. Negar isto é negar o que ele mesmo disse, como vemos no Cap. XIV do Evangelho de Lucas.
J. Herculano Pires
Publicado por Viktor às 17:00
Link | Comentar | favorito
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

CAIM FUNDOU UMA CIDADE SEM TER QUEM HABITÁ-LA!

Com quem se casou Caim, ao retirar-se para a terra do Node? Se Adão e Eva eram as primeiras criaturas humanas. Caim era a terceira. Não haveria mais gente em toda a Terra. Mas a Bíblia nos conta o seguinte: "E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho". (Génesis, IV: 17). Não há explicação teológica que possa resolver as contradições do texto. É evidente que Caim não era a terceira criatura da Terra, mas apenas o primeiro descendente de uma nova raça, que surgia num mundo já povoado e evoluído. A mulher de Caim era de outra raça, do povo que habitava a terra de Node. Os costumes da época ressaltam de todo o texto. Ao construir uma cidade, Caim lhe deu o nome do filho, homenagem comum nos tempos antigos e ainda hoje comum entre os pioneiros de zonas novas. E com que povo ia Caim povoar a sua cidade? Pensaria em faze-lo apenas com a sua geração? Claro que isso seria absurdo. Era o povo de Node que teria de habitar a cidade de Caim. O fato mesmo de Caim ser pastor e Abel lavrador já nos mostra que Adão e Eva viviam numa civilização constituída. Se já havia profissões, divisão do trabalho, especialização da produção e até mesmo fundação de cidades, é evidente que o mundo não estava começando, mas já havia começado há muito tempo. Não se pode ajeitar as coisas, diante destes dados do texto. O que se pode e deve fazer é interpretar o texto, desvendar-lhe o sentido, decifrar-lhe o símbolo como o fez Kardec.
A raça adâmica era uma nova raça que surgia na Terra, proveniente de migrações espirituais. Sua missão era auxiliar o desenvolvimento do planeta, ajudar os seus habitantes primitivos a se elevarem espiritualmente. Não surgia milagrosamente, mas de forma natural, por descendência biológica de outras raças mais aperfeiçoadas. Entretanto, como era necessário preservar a condição evolutiva dessa raça, a fim de que ela não se perdesse na animalidade terrena, a Bíblia usou o mito da criação directa de Adão e Eva por Deus. A descendência de Caim e a genealogia do povo hebreu, que vêm nos versículos seguintes da Bíblia, desse mesmo capítulo IV: 17-26, e do capítulo V: l -32, provam precisamente o que acabamos de acentuar. Os casamentos ali referidos não podem ser explicados sem a existência de outros povos, na Terra, como não se pode admitir que a corrupção do género humano tenha ocorrido na descendência de Adão. Insistir na aceitação literal dessas coisas, a pretexto de que a Bíblia é "a palavra de Deus", só serve para desmoralizar a Bíblia e a própria religião. Já é tempo das criaturas pensantes examinarem problemas tão sérios com maior seriedade.
J. Herculano Pires
Publicado por Viktor às 09:10
Link | Comentar | favorito
Sábado, 11 de Agosto de 2007

COMO DEUS TIROU O HOMEM DO BARRO OU PÓ DA TERRA

Todos conhecemos a alegoria bíblica da formação do homem, mas nem todos sabemos que, para muita gente, essa alegoria representa uma verdade incontestável, uma realidade. Diz a tradução de Almeida, no Cap. II do Génesis, vers. 7: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito, alma vivente". A mesma tradução, na edição revista e actualizada da Sociedade Bíblica do Brasil, corrige "narizes" para "narinas" e faz outras pequenas alterações. Na tradução de Figueiredo "o pó da terra" é substituído pelo "barro da terra". De qualquer maneira, o fato essencial é o mesmo em todas as versões bíblicas, ou seja: Deus formou o homem da terra e assoprou-lhe a vida nas narinas.
O Espiritismo não pode admitir que essa alegoria, aliás muito bela e expressiva, seja tomada ao pé da letra. Kardec admite, no Livro dos Espíritos, que Adão tenha realmente existido, como possível sobrevivente de um cataclismo na região citada pela Bíblia. Mas adverte que é mais razoável considerá-lo como um mito ou uma alegoria, "personificando as primeiras idades do mundo". A espécie humana não começou por um só homem. Surgiu na Terra pelo encadeamento natural da evolução dos seres. Em A Génese, Kardec estuda a posição do homem na escala animal e declara: "Por mais que isso possa ferir o seu orgulho, o homem deve resignar-se a ver no seu corpo material o último elo da animalidade na Terra". Há contradição, neste ponto, entre a Bíblia e o Espiritismo?
Kardec responde acertadamente que não. Porque o Espiritismo apenas explica a alegoria bíblica, dá-lhe a necessária interpretação, esclarece-nos quanto ao espírito da letra, em vez de escravizar-nos à "letra que mata". Os que, pelo contrário, se apegam à letra acabam fazendo da Bíblia um livro absurdo, contraditório e inaceitável para as pessoas de discernimento. Os Espíritos esclarecem bem esta questão, como vemos na pergunta 47 de O
Livro dos Espíritos.
Kardec pergunta: "A espécie humana estava entre os elementos orgânicos do globo terrestre?" E a resposta é a seguinte: "Sim, e veio a seu tempo; foi isso que deu motivo a dizer-se que o homem foi feito do limo da terra". Como se vê, por esta clara resposta, a obra de Deus não se assemelha aos grosseiros trabalhos humanos. Deus cria através de processos cósmicos ainda inacessíveis ao nosso entendimento. Os livros bíblicos não poderiam tratar da criação do homem senão de forma alegórica.
J. Herculano Pires
Publicado por Viktor às 10:30
Link | Comentar | ver comentários (1) | favorito
::: GUESTBOOK :::

.Autor do Livro "Partilhas de um Ser"

.Eu

.Local/Contacto:

«Albufeira, Estremoz e Guarda». Cursos, Palestras, Partilhas & Workshop's. Tlm: 962856134 mail: mestreviktor@gmail.com Fundador do Projecto Social "REIsocialKI®" & Autor do Livro: "Partilhas de um Ser" - APR

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.subscrever feeds

.Dezembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.LINKs

.posts recentes

. REIsocialKI® contra a pob...

. Mediunidade profissional ...

. O QUE FOI E O QUE É

. 0 LIVRO DOS ESPÍRITOS COM...

. CAIM FUNDOU UMA CIDADE SE...

. COMO DEUS TIROU O HOMEM D...

.Arquivos

. Dezembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Julho 2018

. Outubro 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Março 2016

. Janeiro 2016

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007